Essa pergunta me levou a um mês de profunda reflexão, e ela foi catalisada por algo que compartilhei recentemente: o curso de Neurociência para Negócios do MIT Sloan | Executive Program in General Management , voltado a pessoas executivas. Ele me surpreendeu pela densidade e profundidade dos temas, mas principalmente pelo convite constante à autorreflexão, convite este que veio em um excelente momento, já conto mais… Um dos conceitos que mais me atravessou foi justamente o de legado. Qual o impacto que desejo imprimir nas empresas pelas quais passo? Para mim, as respostas são claras: quero construir ambientes dinâmicos e de alta performance por meio da colaboração, inovação e diversidade. Quero liderar com vínculos genuínos, conhecendo as histórias de quem está ao meu lado — suas dores, potências e contextos de vida (igual sempre valorizei e fiz). Confesso, porém, que nos últimos tempos, mesmo sabendo tudo isso, me perdi de mim. Isso já aconteceu contigo? A aceleração da IA generativa, o entusiasmo com essas novas tecnologias, a fome por conhecimento — tudo isso, que faz parte de quem eu sou, começou a me tirar do eixo. Começou a vir em um tom de exagero. Em algum momento, deixei de olhar para o “porquê” e comecei a correr atrás apenas do “o que”. O que falta? O que ainda não fizemos? O que estamos devendo? Nessa corrida, perdi o brilho no olho. Não por falta de motivação — eu amo tecnologia, amo resolver problemas e de preferência os complexos. Mas, me senti sem alma, sem propósito, na correria das informações deixei de olhar as pessoas. E foi nesse momento que a frase do Adriano Lima fez ainda mais sentido: “a vida te para no acostamento”. Os sinais começaram a aparecer: irritabilidade, estresse, sensação de desalinho. E, num gesto de maturidade e cumplicidade, se deu minha saída da Zup — uma empresa pela qual sou profundamente grata. Deixo um legado bonito do qual tenho orgulho, com muita entrega, consistência e acima de tudo afeto. Essa foi a minha parada no acostamento. Meu respiro. O curso do MIT ainda me provocou mais uma reflexão poderosa, sugerida pela Dra. Tara Swart: Imagine-se no fim da vida e escreva a história de como você não deixou o legado que queria. É exatamente isso que estou fazendo neste momento, ganhando profundidade. Tirei um mês de pausa, e talvez tire um pouco mais dado que o novo desafio tem que fazer sentido para os dois lados. Estou me preparando para meu próximo ciclo — um lugar onde o desafio venha com propósito. Onde haja problemas relevantes, entregas ousadas e uma cultura viva. Um lugar que combine com quem eu sou agora: inteira, renovada e decidida a construir uma trajetória com impacto positivo na vida das pessoas e no negócio. Se você também está correndo demais e esquecendo do porquê, talvez esse post seja um sinal. Antes que a vida te chame para o acostamento, se permita parar e escutar. 🧠💬 Se quiser conversar sobre legado, propósito, IA, ou sobre gente (de verdade), estou por aqui e aberta a novas conexões e oportunidades alinhadas a essa visão. #TransiçãoDeCarreira #LiderançaComPropósito #AltaPerformanceComAlma #NeurociênciaNosNegócios #PessoaseCultura #ReflexãoDeLiderança #PeopleAndCulture #RH #Gestão de Pessoas #DiretoradeRH
RH não é BackOffice
Desde de novinha, lá pelos 18 anos, me acostumei a ouvir frases como: “Por que você gosta tanto de entender o modelo de negócio da empresa?” “Você deveria mudar de área, ir para o comercial ou para tecnologia.” “Você não deveria cuidar só da cultura e desenho dos times?” Sempre acreditei em um time de Pessoas e Cultura humano, empático, confiável e ao mesmo tempo que devolve valor para empresa entregando resultado. Tá, mas aí você me pergunta: “o que é resultado?” e eu te respondo o que todos odeiam (depende). Para alguns business, o resultado será a aceleração da inovação mirando uma forte expansão acelerada, para outros o desejo é de estabilidade e manutenção da competitividade, há ainda linhas que vão focar na eficiência máxima. O grande ponto é que cada um destes objetivos de negócio exigem perfis comportamentais e habilidades distintas, para eu saber se estamos com o time certo, com o design organizacional que nos levará ao GOL precisamos ter essa clareza. Nós como Pessoas e Cultura precisamos conhecer os números do business, precisamos conhecer a margem, as principais alavancas de negócio, o mercado, os concorrentes e nossos diferenciais estratégicos. E temos a complexa responsabilidade de sermos arquitetos de pessoas, arquitetos do potencial humano para provocarmos a empresa para o melhor desenho. Às vezes, são conversas arriscadas, dolorosas, às vezes podemos chegar à conclusão que a alta gestão está desalinhada com o que é preciso de competência para o nosso futuro. E ai? E ai que precisamos da humildade do CEO para ouvir e espaço para falar. E ok, minha paixão é pelas PESSOAS, é pelo humano. Só que com a experiência e com muito estudo fui aprendendo que em tecnologia três dos grandes fatores motivacionais de 70% das pessoas são: sentir-se desafiado, trabalhar com pessoas melhores que eles mesmos e o constante aprendizado. Talvez em outros segmentos apareçam valores como: estabilidade, segurança e ok se o desafio corporativo estiver alinhado a isso. A grande questão é que não dá para desalinhar a motivação das pessoas da estratégia. Ok, ter 100% das pessoas alinhadas é utopia. Mas, que tal buscar 70/30? Assim a teoria de grupos já irá nos ajudar a alcançar resultados incríveis. RH não é BackOffice. É arquitetura humana. É o motor silencioso de resultado!